Nenhum assunto me cercou mais esses dias, que o terrível medo de morrer.
Nunca senti esse medo. E olha que em se tratando de medo, já senti (e sinto) muitos.
Mas, o pensamento constante da morte me rodeava.
Agora, escrever sobre isso parece idiotice, mas quero deixar escrito mesmo assim...
Quero lembrar a estranha sensação de me despedir (silenciosamente) de todos e do mundo... Sabe, nunca tive tanta compreensão de quanto é bom viver.
De como vale apena a gente acordar cedo pra trabalhar, lutar diariamente contra a preguiça, conquistar todos os dias o seu espaço ao sol, planejar seus sonhos, traçar seus objetivos e alcançá-los. Morrer agora pareceria derrota. Nadar e morrer na praia. Antes, seria desistência, covardia, cansaço, falta de esperança ou não conseguir enxergar horizontes... Agora tudo era perfeito e essa felicidade plena, parecia presságio para a morte. Lembro do dito: quando a esmola é demais, até o santo desconfia...
Ficar totalmente vulnerável nas mãos de outras pessoas me fez parecer um fantoche. Percebi como somos frágeis, pequenos, insuficientes...
De repente comecei a ver que tudo que quis, sonhei, planejei ou esperava que acontecesse em minha vida, dependia do trabalho de dois ou três profissionais... E claro, da permissão de Deus...
E quando tudo acabou, chorei...
Chorei num misto de felicidade e alívio. A primeira vez que isso ocorreu.
Engraçado é que eu sempre desejei chorar de felicidades, mas pensava em outros motivos, nascimento de uma criança, visita inesperada, casar, conhecer o Ben Afleck, ganhar na loteria, etc... Mas, o melhor motivo para chorar de felicidade eu nunca havia pensado: VIVER!
Só eu posso sentir quanto é bom estar viva, saber que tudo está no lugar, que o teto parou de girar, que o mundo ainda é meu, que ainda posso a qualquer momento olhar aquele sorriso e beijar aqueles olhos, que posso sentir o abraço das pessoas que amo, que eu posso me entregar, que eu posso viver... É inexplicável essa sensação...
Sei que posso estar colorindo os fatos (normal no meu mundo cor de rosa), sei talvez nada fosse tão grave assim... Mas, o medo existiu e me fez perceber que eu NÃO QUERO MORRER...
E isso pra mim hoje é muito mais que meras palavras, porque um dia (ou muitos outros dias) eu quis... Quis muito largar tudo aqui e ir embora...
E as pessoas me olhavam e viam apenas o sepulcro caiado, por fora bonito e bem chamativo, mas por dentro, continha morte, sujeira e podridão. E ninguém podia fazer nada, apenas eu podia mudar meu modo de ver a vida.
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